Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas. Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar. Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegue o celular, não pegue a internet, não pegue a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegue muito. Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho na vitrola e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco?
Sabe do que eu estou mesmo precisando? De ser cuidada de verdade, precisando de me sentir amada por alguém, que antes de tudo prove esse amor por mim, preciso amar com todos as minhas forças. Digo que é um tanto clichê essa tal precisão, mas é que se tornou tudo tão vago, meu coração que hoje não sei ao certo por quem bate, arrisco um palpite que nem por mim é mais, a bem da verdade é que ele bate apenas por bater, ou até mesmo por esse ser o seu dever. Sabes, preciso de um amor daqueles iguais aos dos filmes de romance, que são um tanto meloso. Preciso dar carinho a alguém, de receber, de encher a boca e dizer que amo, e com um orgulho danado dizer que também sou amada. Preciso de alguém que ande de mãos dadas comigo nas ruas, de envolver nossos braços nas noites frias, e assim nos esquentando, de alguém que se desponha a ver meus filmes de romance preferidos junto a mim, e diga que cuidará de mim como o homem cuida da mocinha no filme. Isso se tornou uma tremenda necessidade, venho a me sentir sozinha, olhar em minha volta e perceber que somente eu estou lá, sozinha, jogada ao vento como uma folha de papel branca que não tem o mínimo valor. Eu quero um amor que se renasce á cada verão, por mais arriscado que seja amar, é ainda um dos melhores frutos que o homem pode viver. Um dos frutos os quais vem tão extinto no meu cotidiano.